OLÁ

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Saturday, July 22, 2006

Era um arrastão???


O ônibus balança e já não se consegue dormir.A viagem é longa.Olhar a janela é oque me resta.
Prédios passam, pessoas no fim de seu expediente de trabalho esperam exaustas sua condução e estudantes como eu se preperam pra ir embora.
Um falatório toma conta do ônibus.Finjo que não ouço mais é inevitável.Todos comentam.
- Motorista, não para!!!É uma arrastão!!! Comenta um senhora refletindo o medo e insegurança que toma conta da nossa cidade em guerra civil.
Para a maioria dos que ali estavam o pensamento da senhora resumia o sentimento dos mesmos.
Aproximadamente 8 homens correm, saindo da entrada de uma favela que beira a estrada, vem pelo meio da rua pedindo para que os carros parassem,todos com caras de desespero, não poderia ser outra coisa.Era um arrastão.
Olho fixamente para os homens que correm pelo meio da rua, pela janela do ônibus, e vejo que eles estão chegando cada vez mais perto do ônibus que eu estou.Alguns se abaixam, outros rezam e eu continuo a olhar.Era um arrastão.
Não consigo ver nada além de homens correndo pela rua, carros parando com medo e acelerando as pressas logo em seguida.Nada mais.Ou quase nada.
Meu olhar fixo e compenetrado ao que estava havendo me permitiu ver uma imagem que queria que todos ali vissem e sentissem vergonha de si mesmo.Não era um arrastão.
Um pai desesperado com lágrimas nos olhos, corre com seu filho desacordado no colo, tentando arrumar uma condução que o levasse ao hospital mais próximo e seus amigos o acompanhavam com um desespero igual ao do pai, para tentar arrumar alguém que o levasse para o hospital. Por isso corriam, por isso pediam que os carros parassem...
- Pode ver que levou um tiro, saindo de onde saiu, só pode ser isso...
Não, ele não estava baleado, não sangrava, somente mantinha os olhos fechados e o corpo mole, desanparado, querendo ajuda.Não era um arrastão.
O pai andava pela rua para pedir ajuda, não queria dinheiro nem pertences de niguém, somente ajuda.
Um taxista, que provavelmente vive na mesma batalha diária que aquele pai de família e que ainda conta com compaixão e altruísmo, tipico dos que aos olhos viciados só comentem furtos e delitos, para e resolve ajudar aquele pai de família. Ele entra no taxi e prosegue.Assim como meu ônibus, os carros que assustados , os olhares reciosos e curiosos que, assim como o meu, assistiam a tudo.
Não sei oque aconteceu ao menino.Rezo para que tenha ficado bem e para que nada de ruim tenha acontecido com ele, assim como também rezo para que as mentes que estavam junto a mim no ônibus ao menos se arrependam do que pensaram e falaram.
Pobre correndo no meio da rua não seria outra coisa senão arrastão.Para as mentes vazias que julgam não lhes resta outra coisa senão compaixão.

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